NEURÓTICO AUTÔNOMO


O MAIS CÉLEBRE ANARQUISTA

 

Ao contrário do dilema proposto pela escultura O Pensador, Michael Alexandrovich Bakunin (1814 -1876), conseguiu conciliar as duas ações pertinentes à raça humana: pensar e agir, a primeira ficando prejudica em decorrência da segunda, o que dificulta para as gerações posteriores, o contato com parte de sua obra (textos) de maneira organizada.

Bakunin é tido por muitos como o mais brilhante dos anarquistas, com boa formação filosófica, ele não se ateve apenas ao discurso, pois em prática seus ideais, participando de várias lutas contra o sistema que oprimia o proletariado, não se restringiu às fronteiras de seu país: A Rússia, com sua indignação participou de revoltas na Polônia, Itália, Bélgica, Espanha, Suíça e França.

Por sua visão mais abrangente e quem sabe mais honesta, não enxergava fundamentos sólidos na ideologia comunista teorizada por Karl Marx e Fredrich Engels, pois para ele a tomada de poder pela classe do proletariado, não representaria mudança alguma, se a estrutura do Estado fosse mantida, pois se o governo fosse tomado pelos operários, haveria espaço no poder estatal para a voz de todos? Nesta última interrogação embora ele combatesse as ideias filósofo Jean Jacques Rousseau, ele retoma a questão proposta por este, acerca da vontade geral e a vontade de todos, sendo a primeira a representação de um interesse comum e a segunda o interesse de um interesse privado aglomerado, o qual resume de certa forma onde culminariam os interesses marxistas, quem viveu no século XX, após o governo de Stalin, pode perceber bem que o anarquista tinha razão.

Se você perdeu a esperança ou fé em governos de esquerda e não vê luz alguma nas propostas da direita, ainda há uma opção, a ausência de hierarquia, ou melhor, a anarquia, pode ser que a humanidade ainda não esteja pronta para este modelo de sociedade, mas se não nos prepararmos, ele nunca entrará em vigor.

Alguns textos de Bakunin foram compilados e publicados pela editora L&PM, em sua coleção de livros de bolso com o título Textos Anarquistas, os quais são vendidos a preços extremamente acessíveis (mais baratos do que uma pizza!), traduzidos por Zilá Berndt e com notas de rodapé que fornecem ao leitor uma boa visão do contexto histórico, feitas por Daniel Guérin, eis uma boa chance de entrar em contato com as ideais deste visionário do século XIX.

Se Buda e Francisco de Assis são admirados por terem aberto mão de sua fortuna para se dedicarem à espiritualidade, Bakunin como membro de uma família de proprietários de terra, abriu mão de seu conforto para tentar abrandar um pouco da injustiça existente em seu tempo, a qual infelizmente ainda perpetua até nossos dias, como podemos perceber neste trecho do livro, qualquer semelhança com os ocorridos políticos no Brasil nos últimos oito anos, não é mera coincidência:

Certamente antigos operários que, no momento em que se tornarem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e passarão a olhar o mundo proletário do alto do Estado; não representarão mais o povo, mas a si próprios e suas pretensões de governá-lo. (Pg. 128)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Fernando Rocha às 13h10
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