AH, A GRIPE A!

Numa metrópole como São Paulo, o indivíduo passa despercebido, no meio da multidão captada pela retina de qualquer transeunte, contudo, com o problema da gripe A, alguns cidadãos utilizando máscaras cirúrgicas, uns para se proteger, outros já infectados para proteger os demais, tornam-se um alvo fácil para o olhar dos que os cercam, frágeis vitimas do constrangimento e da ignorância. Além da saúde, a epidemia causa outros problemas na fria cidade, o preconceito contra os mascarados é um deles, as recomendações para que um cidadão evite ser contaminado, além de agir no campo de prevenção, aumenta a frieza existente nas grandes cidades, tornando-se assim uma faca de dois - gumes, pois inclusive nos cultos religiosos, nos quais costumeiramente há um espaço para confraternização entre os fiéis, o abraço e os apertos de mãos foram proibidos, ou melhor, não são recomendados. O toque de um ser em outro se tornou motivo de risco, agregado ao comum desprezo da metrópole, gerou um isolamento maior no aglomerado de solidão cantado por Tom Zé, o que faz a humanidade perecer por dois motivos, a ausência do outro para existir o eu e o fator letal da infecção. As propagandas do ministério da saúde fazem parte de uma confissão de incompetência de um governo, que sabe da ignorância do povo que governa ri como uma hiena sobre tão triste fato, pois a partir do ponto que se gasta verba pública para ensinar a população sobre qual é a maneira correta para se lavar a mão, há de fato algo de podre no reino da Dinamarca, e o processo de decomposição na nação tupiniquim está muito avançado, e a fedentina é insuportável. O perigo do único medicamento para o problema está nas mãos do governo (que possui apenas 5% da quantidade preconizada pela Organização Mundial da Saúde, quando o ideal é de 25% referente à população total do país) é o estado ditatorial instaurado, pois em um precário sistema de saúde pública, esperar que o Estado lhe dê o aval para saber se há o não vírus em seu organismo, assim consequentemente lhe dê o medicamento, assemelha-se ao jogo de roleta russa. Se de um lado existe este problema, por outro lado se os medicamentos forem comercializados, se tornará no meio de tanta incerteza da ciência e temor por parte da população desinformada, moeda forte para o enriquecimento da indústria farmacêutica. Um labirinto se forma e a saída é estreita em meio a tanta confusão.
Escrito por Fernando Rocha às 15h51
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