ORAÇÃO DO BURGUÊS
Senhor Dinheiro, Tu que para mim és tudo, possibilitando-me tudo ter, Extermine esta bobagem de ser, Não! Não quero substância: Essência, Só quero símbolos obsoletos. Conceda-me o dom de iludir-me, Abraçar e acariciar o vazio, preenchendo-o com a vã sensação de conquista. Prometo ir a vosso templo para ampliar - ti, Afinal Dinheiro é tempo E tempo é tudo que me faz Obter o todo, toda a beleza Que invento, uso e vendo aos menos favorecidos. Hipocrisia semântica, para me referir Ao explorado proletariado. Não é nada pessoal, senhor Dinheiro, Apenas reproduzo o poder que há em ti, Utilizado para com a minha pessoa, Oprimindo quem me serve, para que eu possa te servir. Sua vontade é sempre feita, Por meio dos tentáculos Que nos cercam e hipnotizam. Sua onipresença me conforta, Determina o que sou Perante os outros, fazendo-me Esquecer que diante do espelho, não há NADA, Nada em meu interior. Fernando Rocha, 20 de julho de 2009
Escrito por Fernando Rocha às 15h31
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