A PORTA
Rádio relógio, desejo contrariado, chinelo, banheiro, café, banho, e mais uma vez lá estava ela: A porta, aqui dentro, ela sentia-se protegida, embora ás vezes solitária, lá fora indiferença, caos e um processo de desumanização diário. A porta, fonte de liberdade, quando criança, objeto dantes a ser transposto, agora que ninguém mais podia detê-la ou controlá-la, lhe garantia segurança, um estranho bem estar. Com o coração na mão decidiu tocar na fechadura, a mão tremula tentava controlar o chaveiro que balançava insistentemente a contragosto, apanhou a mochila e prosseguiu... Ao entardecer, a hora do retorno se aproximava, agora, organização da sua mesa e um até logo silencioso para os companheiros de serviço, mas sem obter um grande êxito, ouvia o silêncio lhe ser respondido. Cerca de uma hora depois, lá estava ela novamente: A porta, agora do outro lado, de maneira inconsciente a velocidade dos passos diminuía, como aquele objeto inanimado tinha tanto poder sobre ela? Um parto as avessas estava prestes a acontecer, o livro que não terminara de ler, a comida de ontem para ser requentada estavam à sua espera, e ela a espera de uma nova sensação que lhe libertasse daquela cadeia. Fernando Rocha
Escrito por Fernando Rocha às 09h36
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FILME: O ENIGMA DE KASPAR HAUSER

Lançado em 1974, o filme O Enigma de Kaspar Hauser, do diretor alemão Werner Herzog, é uma pérola do cinema moderno. A história de um homem que durante vários anos vivera amarrado no interior de uma torre de igreja, alimentado por uma misteriosa figura masculina, privado do convívio com outros seres humanos, e por conseqüência, sem ter consciência do mundo além da torre na qual estava confinado. Tal qual demonstra a ciência, Kaspar Hauser, não domina a linguagem oral e também não sabe andar, a única palavra que ele domina é cavalo, por ter um cavalo de madeira como brinquedo. Em um determinado dia o misterioso homem inicia o treinamento de como andar e ensina o protagonista a falar algumas poucas palavras, após o inicio de aquisição de linguagem e capacidade de caminhar, Kaspar é abandonado num vilarejo e fadado ao convívio com outros humanos. O estranhamento da personagem com a sociedade, o leva a um estado constante de inadequação por ser objeto de curiosidade dos seus pares. A obra traça um paralelo com outras linguagens artísticas, como a poesia por meio dos diálogos envolvendo a personagem principal e a pintura impressionista com belas imagens dos campos alemães. Eis um belo filme para reflexões sociológicas e filosóficas!
Escrito por Fernando Rocha às 09h57
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