CONTRADIÇÕES DE LOBATO: REINAÇÕES DE NARIZINHO

Monteiro Lobato foi um dos escritores mais talentosos do século XX no Brasil, algumas confusões tal qual o artigo Paranóia ou mistificação, escrito para depreciar uma exposição de Anita Malfatti, retiraram um pouco do brilho intelectual do autor, que se mostrou um tanto quanto limitado para compreender a arte moderna. Todavia, a importância de tal figura para a construção de uma literatura infanto-juvenil brasileira é indiscutível. Mesmo destacando-se como grande literato, Monteiro não conseguiu fugir de alguns preconceitos, nutridos pela sociedade na qual ele foi educado, principalmente os valores escravagistas, os quais cercam a construção da personagem Tia Nastácia, personagem do sítio do pica pau amarelo. No livro no qual as personagens são apresentadas ao publico Reinações de Narizinho (2008, editora globo), embora o Visconde de Sabugosa seja uma espécie de personificação de um cientista positivista, o qual possui todo o conhecimento teórico na ponta da língua, mas muitas vezes sem dialogar com a realidade, numa função que lhe fosse útil, a forma como Nastácia é retratada configura uma contradição dentro da obra. Pois se o valor positivista de que o conhecimento é pleno deve se distanciar da realidade é satirizado por meio do Visconde, a idéia de que há etnias inferiores dentro da raça humana (deturpação da teoria da evolução de Charles Darwin) é adotada com relação à Anastácia. Há vários trechos que põe a personagem em estado de depreciação, tal como: Tia nastácia não sei se vem. Está com vergonha, coitada, por ser preta (pg.75). A leitura de Lobato é importante, pois está nele o alicerce para toda a produção literária rotulada como literatura infanto-juvenil produzida no Brasil, contudo é necessário realizar tal atividade com atenção, demonstrando aí a devida apreciação da obra.
Escrito por Fernando Rocha às 19h50
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