NEURÓTICO AUTÔNOMO


FICÇÃO E REALIDADE

Caverna do Dragão 

Todos aqueles que foram crianças durante a década de 80, tiveram a oportunidade de acompanhar a jornada de um grupo de adolescentes vivendo numa dimensão paralela, lutando contra o vilão Vingador para que pudessem retornar para casa. Contando com o auxilio do bondoso Mestre dos Magos que por meio de enigmas direcionava os jovens em sua busca pelo caminho de volta pra casa, eis uma pequena síntese do desenho Caverna do Dragão.

Como toda produção cultural propõe uma reflexão sobre a sociedade, este texto está centrado no comportamento adotado pelo mestre dos Magos para com o grupo de jovens, o qual apresenta como norma, nunca facilitar, mas por meio de enigmas indicar a direção a ser seguida para obter o tão desejado retorno para casa.

E se o Mestre com seus poderes mágicos e enorme sabedoria, entregasse aos seus pupilos facilmente o  destino que os levaria de volta para seu mundo? Teriam eles amadurecido, tal qual demonstraram na batalha contra o Vingador no cemitério dos Dragões, onde suas armas obtiveram um poder maior do que o normal? E mesmo assim pouparam a vida do seu algoz, fazendo-o perceber que eles o tinham derrotado.

A juventude contemporânea parece ter como mestre alguém que lhes fornece com facilidade, tudo aquilo que querem o que por conseqüência não os permite amadurecer em busca da construção da cidadania, com uma dosagem exacerbada de hedonismo, tornam-se as vítimas perfeitas pra cair na boca do monstro do sistema, empunhando seus celulares, tal qual uma nobre arma, a qual não os levará a nenhuma conquista.

Como já nos mostra o velho ditado, é melhor ensinar a pescar, do que oferecer o peixe, o que fazer com um peixe em mãos se não se sabe prepará-lo? A caverna da contemporaneidade se parece mais com a do mito de Platão, mas ninguém parece desejar olhar para a entrada desta, estão todos contentes com a ilusão de que as sombras representam à realidade plena.

 

 

 

 

 



Escrito por Fernando Rocha às 11h18
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O RETORNO DE CHRONOS

Se tiveres um plano de vingança em mente, não há melhor estratégia do que se fingir de morto, e quando esta crença tiver abraçado todo o inconsciente coletivo, ressurja tal qual uma fênix que com seu bater de asas faz ecoar no vento a sinfonia da destruição.

Vou lhes contar como executei meu plano sorrateiramente, depois de ter repousado por séculos, reuni força suficiente para retomar o poder do olimpo e da superfície terrestre.

 Pacientemente venho demonstrando minha força, meu plano começou a ser executado com a invenção da ampulheta, fingi-me estar dominado e permiti aos humanos gozarem da eufórica sensação de tripúdio por dominarem seu maior adversário, que tal qual o conhecem, é uma invenção dos próprios e o mais engraçado, é que ao passar do tempo gastam energia mental para que com novas invenções consigam poupar uma de suas invenções mais antigas, Há! Há! Há!.

 Vocês sabem que nem um grande plano pode ser executado sozinho, possuo um fabuloso exército comandado pela generala Tecnologia, que foi treinada por mim desde a infância no século XVIII, ela é fruto de um relacionamento que tive com uma mortal chamada Revolução Industrial, forneci a ela por intermédio do gene divino o poder a onipresença camuflada que a permite vigiar a humanidade por tempo integral.

 Me divirto muito vendo os humanos, assim como soldados que retornam à base tropeçando e zonzos após mais um combate, atordoados e amedrontados constantemente ao serem bombardeados por um inimigo invisível, numa batalha inexistente para eles, mas de um poder bélico incomparável e arrasador, não pensem que sou cruel! É que é difícil encontrar entretenimento suficiente para tão longa existência.

 O desespero faz com que o exército humano se distancie, e como já é sabido um exército disperso e muito mais fácil de ser abatido, os soldados se comparam a frágeis animais que de tanto pavor não raciocinam para encontrar a melhor rota de fuga, por conseqüência de uma decisão precipitada, são capturados facilmente pelo voraz predador que aqui vos fala, pois tenho sob meu poder o mapa do labirinto do caos.

 Sabe que acho que sou um pouco piedoso, porque forneço mecanismos poderosíssimos aos meus inimigos para que tentem encontrar uma solução, a humanidade continua a sobreviver enviando mensagens eletrônicas no lugar dos sinais de fumaça dantes utilizadas para obter um resgate, porém não há receptor para decodificar a mensagem, já que todos são apenas emissores narcisistas que tem o olhar voltado apenas para a própria dor.

Só lhes resta à rendição, tudo bem! conceder-lhes-ei um último afago, uma dose de morfina, para aliviar a dor provocada pelo meu mastigar.

Ah! Já estava me esquecendo de falar sobre o olimpo, coitadinhos dos meus filhos, destruí um por um, alguém aí conhece algum adorador de um deles? Para não deixar que se extinguissem tranformei-os em metáforas de poetas, mera mitologia, afinal, não teria graça tripudiar em cima de alguém que nem se quer é lembrado.

 

 

Fernando Rocha

 

 



Escrito por Fernando Rocha às 14h53
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