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VALE A PENA CONFERIR
Dois dos blogs que integram a seção Outros sites deste espaço, após um longo hiato possuem textos novos publicados. No Coisas Novas em um texto curto, mas que diz muito Rodrigo tem como tema o amor, em seu texto da Alusão à Ilusão. Aurora transportou da gaveta para o espaço cibernético, mais um de seus poemas chamado Estes Momentos. Recomendo a leitura destes dois textos, os links estão abaixo: http://rerumnovarum.zip.net/index.html http://auroraneide.zip.net/
Escrito por Fernando Rocha às 15h36
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O PROBLEMA DO NOVO MODELO DE ÔNIBUS DA CIDADE DE SÃO PAULO
É provável que um dos fatores que influenciam diretamente o mau uso das verbas públicas dentro do país, seja que os serviços são sempre pensados por pessoas que nunca os utilizaram e nem os utilizarão. Um bom exemplo disso são os ônibus novos que circulam por vários itinerários da cidade de São Paulo. Estes ônibus foram planejados para o desconforto do cidadão, pois parecem ter sido projetados para conduzirem mais passageiros viajando em pé, do que sentados, haja vista, o número de bancos ter sido reduzido do antigo modelo para este. O fato mais absurdo fica a cargo dos assentos especiais destinados por lei a idosos, gestantes e deficientes, nos novos ônibus estes assentos para serem alcançados, exigem que os passageiros subam uma escada de três degraus (altos) para que possam se sentar, e posteriormente no momento de desembarcar, estes deverão descer os mesmos degraus, já que não há portas traseiras, mas só no meio do veículo. Onde ficam as facilidades para aqueles que possuem necessidades especiais? Eis aí uma prova, de que embora muitos políticos se elejam, se auto-intitulando candidatos do povo, quando eleitos governam sempre com seus valores burgueses e desumanos.
Escrito por Fernando Rocha às 15h16
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DICAS CULTURAIS: UM LIVRO + UM CD
Quase que instantaneamente, quando se quer falar de livros que tenham o amor como tema, nos remetemos às obras literárias produzidas dentro da escola do Romantismo, contudo, quando se almeja tratar do tema com maior profundidade é preciso retroceder um pouco mais na história, mais precisamente cerca de 429 a. C. , para encontrarmos um dos filósofos mais influentes da história: Platão. Por meio de diálogos assim como fazia seu mestre Sócrates, Platão aborda o tema do amor de maneira magistral, construindo um diálogo entre vários nobres cidadãos da Grécia antiga, dentre eles o comediante Aristófanes e seu mestre já citado aqui, eis o cenário do livro Banquete, no qual cada personagem participante do evento que dá titulo ao livro, tenta defender uma idéia sobre a origem do amor. É nesta obra que podemos encontrar o famoso mito do andrógino, o qual serviu de alicerce para boa parte das obras românticas. Para se compreender melhor este sentimento tão contraditório, tal qual nos mostrou Camões em seu célebre poema, vale muito a pena ler este livro! Um disco que começa com uma canção de amor que tem em seus versos: Minhas mãos estão em seu pescoço/ Se eu lhe matasse agora ninguém nunca saberia..., no mínimo deve despertar o interesse do ouvinte, ainda mais se isto for cantado por uma voz grave, acompanhada de um belo arranjo que conduz o clima dramático da obra, trata-se da canção Until the morning comes, faixa de abertura do álbum Waiting for the moon, da banda inglesa Tindersticks. Lançado em 2003, este trabalho deste talentoso sexteto, foge aos rótulos disponíveis no mercado, para apenas ser classificado como boa música, possui a mistura de arranjos folk embelezados com cordas formulando um dos pontos fortes do grupo, destacando-se entre as faixas Oblivion e Running Wild, as quais representam bem o conceito da música destes britânicos, outro destaque fica por conta de Sometimes it hurts, a qual possui o registro da voz da cantora Ihasa em dueto com a poderosa voz de Stuart Staples. Abaixo está um link do youtube, com um vídeo da faixa de abertura desta obra: http://www.youtube.com/watch?v=NsqRo1alfUQ
Escrito por Fernando Rocha às 16h20
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A MENINA E O DIABO DA PEDRA

Há tanto tempo ando guardada entre papeis e travesseiros, que já nem lembro mais se é inverno ou primavera. Outra vez durante a noite acordei assustada, abri meus olhos e estava frente ao escuro, estava em frente ao escuro do meu quarto e pensei: Havia uma pedra no meio do caminho. Quantas vezes mais isso iria se repetir, já era a terceira vez essa semana que acordava meio ao escuro, toda vez o mesmo pensamento sobre a maldita pedra do Carlos, outra vez a mesma sensação de ser nula de ser impotente frente à noite incerta. Um olhar para a cabeceira da cama revela a luz do rádio relógio três horas da madrugada, uma olhada para dentro de si revela uma moça, magra, desajustada e com astigmatismo. Toda essa insônia havia começado há alguns dias quando meio a uma aula de recuperação no último sábado o professor perguntou sobre o que seria a pedra no caminho de Drummond, várias colegas da turma colocaram a mãe, mas Vanessa não, não poderia achar a mãe uma pedra, ela nunca estava presente, trabalhava de noite dormia de dia, para sustentar as duas, definitivamente a mãe não era uma pedra no caminho. Dois garotos da mesma turma de Vanessa, disseram que o pai era uma pedra, mas como poderia o pai da menina ser uma pedra, se ela nunca o vira, talvez nem soubesse de sua existência, por isso o pai não poderia ser a pedra e assim a pedra ficará sem nome, até então. Como já foi dito durante as últimas noites a pedra vinha procurar sua identidade, acordava nossa heroína e por mais que essa estivesse com vontade de dormir a pedra estava no meio do caminho, pois no meio do caminho havia uma pedra! - Que diabos! O estomago reclamava, mas a geladeira estava vazia, ela tinha certeza disso, a vontade de ter um minuto de paz e ser quem quiser ser em sonhos não acontecia, e tem mais, para completar sua noite a visão parecia mais e mais turva a cada instante, aliás, Turva Demais. - Serei eu a pedra! – como um arroto as palavras jorraram e a jovem menina se assustara ainda na cama. Seria eu a pedra no caminho da minha mãe, -Não posso pensar assim, recriminava-se a jovem, ...talvez seja eu, uma pequena pedra, que dê para ser saltada, quase nem notada meio a estrada tão grande, por fim eu nem atrapalho, ou será que estou falando isso só pra me conformar? -Faz tanto tempo que sou pedra, dezesseis anos sendo pedra e nem percebi! O escuro é atormentador a noite parece à eternidade e eu a tenho inteira, para ser a pedra da minha mãe... A mãe de Vanessa trabalha no Hospital durante a noite e dorme de dia, - Ora bolas já falei isso! A rotina se repete diariamente com pequenas interrupções de passeios escolares e idas ao shopping e mercado. Nada, além disso. Vanessa tem mais um pensamento sobre a mãe e esse pensamento a leva da cama para a mochila jogada no canto, dentro da mochila a mão tateia atrás dos dois únicos amigos verdadeiros, ao qual sabe e sente que pode confiar seus pensamentos, o lápis e o papel, recusava as canetas eram imperdoáveis não permitiam erros e a filha de Vera adorava ter o poder de se corrigir, enfim era o único lugar que poderia se sentir única, o lápis era a única fonte de ligação desta menina com o real. Após tatear pelo quarto e acender a luz, a garota sente os olhos arder, aperta o lápis na mão direita e segura com carinho uma folha recém arrancada do caderno, senta na cama de novo, olha para a folha, não pensa em nada só olha a folha e repentinamente a imagem de um balão cor de rosa subindo aos céus começa a se formar frente à folha. Vanessa apertando a folha começa a desenhar o balão, pensa na luz que ilumina, na forma de sombreá-lo, pinta um céu claro usando o branco da folha e o cinza do lápis lembra das técnicas do curso de desenho feito há um ano, usa todos os recursos que tem e a mão muda de direção. A mão desenha um barbante amarrando o balão, não é um barbante qualquer é um barbante de diversos fios, Vanessa pega um pedaço do cadarço do tênis que tinha e desenha os veios do barbante, o barbante trás formas de ligação maiores que o que o desenho tem, o barbante trás mostra o desejo que Vanessa tanto anseia. Tem então outra idéia corre ao aquário da sala olha cuidadosamente para o fundo deste e retira uma pedra com lodo guardada no fundo das águas, volta ao quarto sem nem olhar para os cantos só tem olhos para a pedra, tudo em volta está turvo só a pedra parece ter sentido meio a todo o resto, a dona do balão cor de rosa segura a pedra começa a reproduzi-la em uma escala maior, muito maior. Em cada detalhe descobre um mondo novo uma sombra nova uma cor totalmente nova, Nova Demais... Quando olha para o desenho vê uma pedra amarrada a um barbante e esse amarrado a um balão cor de rosa da festa de aniversário ainda na cama coloca o desenho debaixo do travesseiro, corre para o botão, apaga a luz com um clique, volta à cama, fecha os olhos e se pergunta se o balão do desenho levava a pedra ou a trazia? Deixaria essa parte para ser respondida por outras pessoas, por outras pessoas que tinham uma pedra no caminho ou que quem sabe no caminho teriam uma pedra, pois agora tinha que aproveitar que o sono voltara... Allan Roberto, 09 de Junho de 2009
Escrito por Fernando Rocha às 16h58
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PROBLEMATIZAÇÃO DA LEITURA

Um fato sabido por todos é o da importância da leitura, atividade esta que pode ampliar o horizonte do ser humano, haja vista, que a vida por si só não basta, e a arte supri o vazio da realidade nua e crua, permitindo ao leitor analisar melhor o mundo no qual vive assim consequentemente possibilitando o exercício de uma cidadania embasada numa maior autoridade. Todavia o incentivo à leitura, ainda carrega o valor burguês parnasiano do inicio do século XX, o qual prega que a leitura é uma espécie de souvenir, o qual enfeita o ser humano, tornando-o um ser acima da média, focando apenas a vaidade, que efetua a aplicação da equação: Fulano+ leitura do autor do livro X= Pessoa culta. Ler o livro do autor renomado, apenas para contar aos amigos e empunhar o título abstrato de pessoa culta, não basta para que de fato a leitura tenha transformado a vida do cidadão, libertando este das correntes das construções dos valores da sociedade. É fato que a arte em geral pode tornar o homem num ser menos bruto, tornando assim o coletivo de indivíduos e o lugar no qual eles vivem num lugar mais harmonioso para a convivência humana. Enquanto o incentivo à leitura estiver calcado na desigualdade social, partindo do ponto de que apenas a cultura burguesa deve ser considerada de fato cultura, e se o proletariado quiser tornar-se culto, deve se esforçar para se apropriar desta fatia da cultura geral abrindo mão da sua cultura, para que assim possa se igualar aos seus opressores, alcançando o ilusório status de igual, e de certa forma cumprindo a função de escravo e vigia da injusta estrutura social brasileira, o índice de leitores de nosso país continuará muito abaixo do ideal. Quando o sistema público de educação e os proletariados que têm o hábito de ler, perceberem que a leitura é uma forma crítica e poderosa para perceber as injustiças do mundo, talvez a leitura transforme num poderoso instrumento de transformação social. E quem sabe assim os jovens aumentem seu interesse pela atividade de leitura, enxergando nesta alguma função social e não um mero enfeite abstrato para vaidosos intelectuais, o que só os distancia de tal atividade, aí poderemos ultrapassar o não contente estado de um povo mal-alfabetizado e assim nos tornarmos um povo letrado.
Escrito por Fernando Rocha às 14h53
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CONTRADIÇÕES DE LOBATO: REINAÇÕES DE NARIZINHO

Monteiro Lobato foi um dos escritores mais talentosos do século XX no Brasil, algumas confusões tal qual o artigo Paranóia ou mistificação, escrito para depreciar uma exposição de Anita Malfatti, retiraram um pouco do brilho intelectual do autor, que se mostrou um tanto quanto limitado para compreender a arte moderna. Todavia, a importância de tal figura para a construção de uma literatura infanto-juvenil brasileira é indiscutível. Mesmo destacando-se como grande literato, Monteiro não conseguiu fugir de alguns preconceitos, nutridos pela sociedade na qual ele foi educado, principalmente os valores escravagistas, os quais cercam a construção da personagem Tia Nastácia, personagem do sítio do pica pau amarelo. No livro no qual as personagens são apresentadas ao publico Reinações de Narizinho (2008, editora globo), embora o Visconde de Sabugosa seja uma espécie de personificação de um cientista positivista, o qual possui todo o conhecimento teórico na ponta da língua, mas muitas vezes sem dialogar com a realidade, numa função que lhe fosse útil, a forma como Nastácia é retratada configura uma contradição dentro da obra. Pois se o valor positivista de que o conhecimento é pleno deve se distanciar da realidade é satirizado por meio do Visconde, a idéia de que há etnias inferiores dentro da raça humana (deturpação da teoria da evolução de Charles Darwin) é adotada com relação à Anastácia. Há vários trechos que põe a personagem em estado de depreciação, tal como: Tia nastácia não sei se vem. Está com vergonha, coitada, por ser preta (pg.75). A leitura de Lobato é importante, pois está nele o alicerce para toda a produção literária rotulada como literatura infanto-juvenil produzida no Brasil, contudo é necessário realizar tal atividade com atenção, demonstrando aí a devida apreciação da obra.
Escrito por Fernando Rocha às 19h50
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ANULAMENTO
Se as árvores não negam o prazer da dança ao vento, Por que o pensamento possui a pretensão de interferir no andamento da realidade? Para que serve tanto querer, se basta apenas ser: Existir. É só desistir de ter Não se enganar Com o vão desejo de possuir. Se há alma, esta é inquilina do corpo, ou este armadura desta? Pensar ou sentir, o que é correto? Correr com o movimento das pernas Ou com o trabalho da mente? A mente desmistificada Só serve para delegar Função aos órgãos. Perceber o mundo... É um trabalho pros sentidos. Fernando Rocha, São Paulo 23 de maio de 2009
Escrito por Fernando Rocha às 18h40
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FICÇÃO E REALIDADE
Todos aqueles que foram crianças durante a década de 80, tiveram a oportunidade de acompanhar a jornada de um grupo de adolescentes vivendo numa dimensão paralela, lutando contra o vilão Vingador para que pudessem retornar para casa. Contando com o auxilio do bondoso Mestre dos Magos que por meio de enigmas direcionava os jovens em sua busca pelo caminho de volta pra casa, eis uma pequena síntese do desenho Caverna do Dragão. Como toda produção cultural propõe uma reflexão sobre a sociedade, este texto está centrado no comportamento adotado pelo mestre dos Magos para com o grupo de jovens, o qual apresenta como norma, nunca facilitar, mas por meio de enigmas indicar a direção a ser seguida para obter o tão desejado retorno para casa. E se o Mestre com seus poderes mágicos e enorme sabedoria, entregasse aos seus pupilos facilmente o destino que os levaria de volta para seu mundo? Teriam eles amadurecido, tal qual demonstraram na batalha contra o Vingador no cemitério dos Dragões, onde suas armas obtiveram um poder maior do que o normal? E mesmo assim pouparam a vida do seu algoz, fazendo-o perceber que eles o tinham derrotado. A juventude contemporânea parece ter como mestre alguém que lhes fornece com facilidade, tudo aquilo que querem o que por conseqüência não os permite amadurecer em busca da construção da cidadania, com uma dosagem exacerbada de hedonismo, tornam-se as vítimas perfeitas pra cair na boca do monstro do sistema, empunhando seus celulares, tal qual uma nobre arma, a qual não os levará a nenhuma conquista. Como já nos mostra o velho ditado, é melhor ensinar a pescar, do que oferecer o peixe, o que fazer com um peixe em mãos se não se sabe prepará-lo? A caverna da contemporaneidade se parece mais com a do mito de Platão, mas ninguém parece desejar olhar para a entrada desta, estão todos contentes com a ilusão de que as sombras representam à realidade plena.
Escrito por Fernando Rocha às 11h18
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O RETORNO DE CHRONOS
Se tiveres um plano de vingança em mente, não há melhor estratégia do que se fingir de morto, e quando esta crença tiver abraçado todo o inconsciente coletivo, ressurja tal qual uma fênix que com seu bater de asas faz ecoar no vento a sinfonia da destruição. Vou lhes contar como executei meu plano sorrateiramente, depois de ter repousado por séculos, reuni força suficiente para retomar o poder do olimpo e da superfície terrestre. Pacientemente venho demonstrando minha força, meu plano começou a ser executado com a invenção da ampulheta, fingi-me estar dominado e permiti aos humanos gozarem da eufórica sensação de tripúdio por dominarem seu maior adversário, que tal qual o conhecem, é uma invenção dos próprios e o mais engraçado, é que ao passar do tempo gastam energia mental para que com novas invenções consigam poupar uma de suas invenções mais antigas, Há! Há! Há!. Vocês sabem que nem um grande plano pode ser executado sozinho, possuo um fabuloso exército comandado pela generala Tecnologia, que foi treinada por mim desde a infância no século XVIII, ela é fruto de um relacionamento que tive com uma mortal chamada Revolução Industrial, forneci a ela por intermédio do gene divino o poder a onipresença camuflada que a permite vigiar a humanidade por tempo integral. Me divirto muito vendo os humanos, assim como soldados que retornam à base tropeçando e zonzos após mais um combate, atordoados e amedrontados constantemente ao serem bombardeados por um inimigo invisível, numa batalha inexistente para eles, mas de um poder bélico incomparável e arrasador, não pensem que sou cruel! É que é difícil encontrar entretenimento suficiente para tão longa existência. O desespero faz com que o exército humano se distancie, e como já é sabido um exército disperso e muito mais fácil de ser abatido, os soldados se comparam a frágeis animais que de tanto pavor não raciocinam para encontrar a melhor rota de fuga, por conseqüência de uma decisão precipitada, são capturados facilmente pelo voraz predador que aqui vos fala, pois tenho sob meu poder o mapa do labirinto do caos. Sabe que acho que sou um pouco piedoso, porque forneço mecanismos poderosíssimos aos meus inimigos para que tentem encontrar uma solução, a humanidade continua a sobreviver enviando mensagens eletrônicas no lugar dos sinais de fumaça dantes utilizadas para obter um resgate, porém não há receptor para decodificar a mensagem, já que todos são apenas emissores narcisistas que tem o olhar voltado apenas para a própria dor. Só lhes resta à rendição, tudo bem! conceder-lhes-ei um último afago, uma dose de morfina, para aliviar a dor provocada pelo meu mastigar. Ah! Já estava me esquecendo de falar sobre o olimpo, coitadinhos dos meus filhos, destruí um por um, alguém aí conhece algum adorador de um deles? Para não deixar que se extinguissem tranformei-os em metáforas de poetas, mera mitologia, afinal, não teria graça tripudiar em cima de alguém que nem se quer é lembrado. Fernando Rocha
Escrito por Fernando Rocha às 14h53
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SENTIMENTO DE POSSE

Até a década de 90 era comum compartilhar conhecimento com um amigo, sem querer adquirir o objeto admirado pra si, havia a possibilidade de conhecer a discografia inteira de um artista se um amigo a possuísse. A inexistência ou dosagem do desejo de posse, permitia que a obra fosse compartilhada entre um grupo de amigos, o qual poderia conhecê-la muito bem, sem que todos a possuíssem. O mesmo acontecia com filmes e vídeos musicais, contudo, atualmente com o avanço da tecnologia, e a perpetuação do espírito capitalista, todos baixam as obras para que cada um tenha o seu exemplar, seja de um livro, música ou vídeo musical, o legal é cada um ter o seu. Com a constituição de tal quadro a partilha se tornou algo ultrapassado, mas o que fazer? É impossível retroceder, sem temer o rótulo de retrogrado, se nenhum homem é uma ilha isolada em si mesmo, a humanidade vem edificando uma nova geografia, na qual a distância entre seus membros, não depende da extensão territorial, mas sim de um estado de espírito.
Escrito por Fernando Rocha às 13h36
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DICA DE FILME: A ROSA PÚRPURA DO CAIRO
Woody Allen é um dos mais cultuados diretores de cinema da era contemporânea, em 1984 ele escreveu e dirigiu um belíssimo filme, chamado A Rosa Púrpura do Cairo, no qual é mostrada a vida da protagonista Clarissa, uma cinéfila, que vive nos EUA da depressão de 1929, trabalhando como garçonete numa lanchonete, enquanto seu marido desempregado e violento vaga pela rua. Em mais uma sessão de cinema apreciada por Clarissa, um elemento fantástico é introduzido na obra, uma das personagens masculinas saí da tela e vêm de encontro à mulher, convidando-a para passar pela cidade, configurando neste ponto um caráter metalinguagem (O filme dentro do filme). A obra abre margem para a reflexão sobre a ingenuidade dos expectadores românticos, vale a pena assistir!
Escrito por Fernando Rocha às 18h55
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BLOG MUAMBA ESCANEADA
Contravenção, talvez seja esta a primeira palavra que vem à mente quando se ouve o termo muamba, se de fato tudo o que está á margem da sociedade pode ser definida como tal a arte de Mário Labate pode ser configurada como uma boa contravenção. Escanear primariamente pode ser confundida como desonestidade intelectual, mera cópia, contudo, quando o escaneamento é realizado copiando imagens da mente as quais com o auxilio das mãos chegam ao mundo real, ou melhor, ao mundo virtual, escanear se torna uma arte. No ar desde março de 2009 o blog Muamba Escaneada oferece aos leitores da blogsfera a oportunidade de acompanhar a arte realizada pelo polivalente Mario Labate, ilustrador, DJ, uma enciclopédia do mundo das HQs e da música alternativa. No blog Mario compartilha com seus leitores todo o seu conhecimento o endereço do blog é: http://muambaescaneada.blogspot.com/ 
Escrito por Fernando Rocha às 17h52
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CONSUMO
Vende-se Venda sobre os olhos Vendo o que vendem V-E-N-D-I-D-O! Venda-me Desvende meus sentidos Comprado! Com prazo indeterminado de validade. Inválido, mas com notoriedade, Valeu! Nossa felicidade É te ver feliz Mesmo quando enganado
Fernando Rocha, São Paulo, Abril de 2009
Escrito por Fernando Rocha às 15h03
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A INDUSTRIA CULTURAL

Muitos consumidores românticos, ainda se recusam a retirar a venda dos olhos, para que possam perceber que por mais honesta e criativa que seja um produto artístico, seja ele um cd, livro ou filme, tais itens concretamente configuram-se como um produto de consumo, tal qual arroz, feijão, cosméticos e etc. Apreciadores inocentes apontam para a produção de música atual, creditando-lhe um valor de sub-arte, por esta não expressar com sinceridade os sentimentos da sociedade contemporânea, entretanto, não é necessário depreciar tal arte, ou melhor, emprego, afinal estamos todos vivendo numa crise, e quanto menos pessoas desempregadas melhor, o poder esta nas mãos do consumidor, que se consciente pode definir com qual produto vai gastar seu suado dinheirinho. A música, o cinema e a literatura não conseguiram fugir da boca do monstro que é a industria, mas há aqueles que sabem se esquivar dos dentes de tão temida criatura, e é aí que se diferencia um trabalhador de um arista, o segundo é alguém que tem consciência de tudo que o cerca, mas não permite que haja interferência na sua criação, já os primeiros brincam seriamente de tudo que o seu mestre mandar e se saem bem nesta tarefa.
Escrito por Fernando Rocha às 10h16
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Ó MUNDO TÃO DESIGUAL

No Brasil uma discussão que vai e volta à arena de debates, é a existente entre os artistas e o poder público, os primeiros reivindicam dos segundos um maior investimento e apoio para a construção da arte nacional, por meio das leis de incentivo, contudo, um detalhe que não é mencionado em tal debate, é o paradoxo encontrado no país, a miséria que convive pacificamente com a alta tecnologia, pois é fato que a arte é importante para a construção de uma sociedade mais desenvolvida e até mais humana, mas para se criar ou admirar uma obra de arte é necessário estar com a barriga cheia. Na letra da canção A Novidade, de Gilberto Gil, escrita na década de 80 musicada e gravada pelos Paralamas do Sucesso, a situação paradoxal do país é retratada com precisão. Após o aparecimento de uma sereia numa praia, o caráter de novidade anunciado no título da canção é atribuído ao ser, a presença de duas classes sociais (ricos e pobres) a admirarem tal evento, mostra que o olhar é construído pela necessidade que cada grupo impõe aos seus membros: Alguns a desejar seus beijos de deusa/ Outros a desejar seu rabo pra ceia. A realidade brasileira é o mais perfeito yin e yang, só que sem nenhuma harmonia para equilibrar o todo. Ao mesmo tempo em que pessoas ainda morrem de fome (literalmente) em decorrência de doenças como a hanseníase, alcançando índices só não mais altos do que o da Índia e outros países miseráveis, a presença das últimas invenções do mundo tecnológico, colocam o país na berlinda, avançar e quem puder acompanhar que vá, deixando pra trás um rastro enorme daqueles que não conseguiram principalmente por motivos econômicos acompanhar o bonde, ou parar e esperar que todos tenham fôlego suficiente para seguir a odisséia? Haja força não é Ulisses? Mesmo vivendo numa sociedade onde a antítese deixa de ser figura de linguagem, para reger o tom da dança das contradições, é comum encontrar ao abrir o jornal, uma matéria escrita por alguém que só conhece uma das metades do Brasil, criticando o gosto da música apreciada pelo proletariado, ou as sobre o mau gosto das roupas desta classe. Esquecem-se tais profissionais que as más qualidades apontadas nos menos favorecidos, são frutos da cadeia na qual os menos favorecidos se encontram, esses se vêem na obrigação de sentirem-se inseridos na sociedade, mas sem o mesmo poder de compra da burguesia, o que faz entrar em cena o vale tudo. Talvez boa parte desta discrepância seja decorrência daquele papo de avançar 50 anos em cinco, sem antes preparar a sociedade para receber tais avanços, mas pelo contrário fazendo-a trabalhar para construir tal sonho, sem avisá-la de que nem todos iriam gozar dos seus prazeres. Enquanto os paradoxos não forem amenizados, o belo só será bom se como entrada para obras cinematográficas e de teatro, forem distribuídas refeições gratuitamente como item atrativo para estimular o aumento no número de expectadores.
Escrito por Fernando Rocha às 10h38
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